segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Por que os casos de HIV aumentam entre os jovens brasileiros?

Resultado de imagem para teste de aidsOs dados divulgados por um levantamento realizado pelo Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde assustam: de 2006 a 2015, o número de brasileiros infectados pelo vírus da AIDS saltou, na faixa etária de 15 a 19 anos, de 2,4 para 6,9 para cada cem mil habitantes.
No caso de jovens com idades entre 20 e 24 anos, o número passou de 15,9 para 33,1; e para homens com idades entre 25 e 29 anos, de 40,9 para 49,5. Estatisticamente, os números revelam algo mais preocupante do que apenas números de grandes projeções: o vírus da AIDS voltou a crescer, principalmente entre os jovens.
Resultado de imagem para teste de aidsDiferentemente da epidemia de HIV que assolou o Brasil na década de 80, a doença tem se alastrado de forma silenciosa entre os jovens. “O medo da morte, as imagens cadavéricas de pessoas que definhavam na segunda ala do hospital Emílio Ribas [localizado na região central da capital paulista] ficaram para trás, mas a doença ainda é grave. Naquela época, todo mundo tinha um amigo ou conhecia alguém que estava muito mal de AIDS”, explica o Dr. Paulo Olzon, infectologista e clínico geral da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
O primeiro registro da terapia antirretroviral ministrada contra a AIDS data de 1996. O tratamento medicamentoso combate os danos causados pelo vírus ao sistema imunológico. Hoje, apesar das descobertas de outras substâncias mais efetivas que acarretem sintomas não tão fortes, o princípio ativo permanece o mesmo.
“Há várias opções de tratamentos, inclusive menos tóxicos. É uma gama muito grande de remédios, quem determina o uso é o Ministério da Saúde. Entretanto, a base permanece a mesma. Não é um tratamento contra uma infecção ou inflamação qualquer, como o de pneumonia, por exemplo, que você toma, sara e acabou”, explica o Dr. Olzon.
Existe, atualmente, também o método de profilaxia pós-exposição, que se trata, basicamente, da ingestão diária de um medicamento contra o vírus por pacientes não infectados após terem se exposto a uma situação considerada de risco. Um fator importante, neste caso, é que mesmo que o método seja considerado uma “salvaguarda” contra o vírus, não protege, efetivamente, contra outras DSTs.
No caso da AIDS, o infectologista é categórico ao afirmar a importância da prevenção: “A forma de se prevenir é através do uso de preservativo durante as relações sexuais. Hoje, não se vê mais campanhas, incentivos governamentais falando sobre o assunto. É preciso que essas informações cheguem aos jovens, que são muito diferentes dos portadores da década de 80, por exemplo. É muito raro morrer de AIDS hoje, mas isso não tira todo o estigma e sofrimento que essa pessoa vai passar durante a sua vida. É um tratamento para o resto da vida.”
Os efeitos colaterais mais comuns nos portadores do vírus que realizam o tratamento são: zumbido no ouvido, tontura, inflamação dos nervos periféricos e formigamentos.

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